REGISTRO HISTÓRICO

FENINJER, a Feira que revolucionou o setor joalheiro

Texto: Cláudia Santana

Sem medo de cometer exageros, pode-se dizer que a história do ramo joalheiro no Brasil tem um "antes" e um "depois" da FENINJER. Após anos de absoluto sucesso, o evento - que acontece duas vezes por ano, se consagrou como a maior e mais importante feira do setor na América Latina.

Para chegar a essa dimensão, a FENINJER contou com o empenho e o trabalho de seus idealizadores. O embrião que gerou esse evento germinou no final da década de setenta. O panorama era muito diferente do atual.

Nessa época, a De Beers oferecia projetos para um pequeno grupo de fabricantes, direcionando a produção para as jóias com diamantes e promovendo pequenas exposições.

Mas até então, os empresários pouco se reuniam para trocar idéias sobre o setor. Ao mesmo tempo, alguns fabricantes líderes do mercado organizavam exposições exclusivas para seus clientes. Essa prática acabou gerando um excesso de eventos paralelos. Foi então que, por uma iniciativa dos irmãos Aldo e Eduardo Arrigoni, os empresários do setor se reuniram num almoço histórico.

Nesse encontro, ficou claro para eles que, unidos nacionalmente, teriam muito mais força para promover projetos relevantes para o setor.

Em decorrência desses fatores, esses empresários decidiram oficializar essa união, estendendo o convite a outros de peso do setor, criando juntos o Clube dos 11.

Nascia assim, a mais importante liderança do ramo.


(foto do clube do 11)

O clube era composto pelas seguintes empresas: Costantini, Beta, Denoir, Duque SP, Duque AM, MFS, Metalforte, Metalnobre, Stern Jóias e Seculus, compondo-se ao contrário do que o próprio nome indicava, de apenas dez fabricantes.

Aquela que seria a décima primeira empresa desistiu de participar na última hora, quando o nome Clube dos 11 já estava registrado e todo o material promocional impresso.

O principal objetivo desses líderes era criar um evento de peso no setor, para que não precisassem mais ficar na dependência das mostras individuais ou daquelas organizadas pela De Beers. Entre outras ações, o Clube dos 11 passou a organizar exposições coletivas de jóias no Brasil.

Eram eventos grandiosos, que aconteceram em várias cidades do país. Mas uma das mostras que realmente entrou para a história, foi o evento organizado a bordo de uma navio, o Itália C, em setembro de 1983.


(foto navio)

Foram cinco dias em alto mar, entre as mais belas paisagens da costa brasileira, nos quais os compradores puderam conferir os lançamentos dos 10 fabricantes.

Tinha mesmo tudo para se tornar inesquecível.

Diante desse sucesso, um outro grupo de empresas entendeu que esse tipo de promoção representava uma importante ação de marketing e vendas. Como o Clube dos 11 não tinha interesse em ampliar o grupo, por uma questão de estratégia e também de espaço físico, eles formaram uma nova associação de empresas.

Contudo, essa divisão de grupos gerou mostras paralelas, que aconteciam em datas muitos próximas. Esse excesso de exposição fez com que os eventos deixassem de surtir o efeito desejado pelos expositores. Diante desse fator, os dois grupos decidiram se unir em torno de um único evento, muito mais forte e consistente, que passou a se chamar Feira Brasileira de Jóias. Realizada no Hotel Hilton, em setembro de 1985, em São Paulo - principal mercado do setor - a feira deu início a uma nova etapa no processo de escolha, seleção e comercialização de jóias no Brasil. A liberdade de escolha e a grande variedade de opções, a exemplo do que já ocorria nos centros mais desenvolvidos, foi o principal fator para o sucesso dessa primeira edição.

Com cerca de quarenta stands, o evento atraiu um grande número de visitantes e o sucesso desta primeira feira animou os organizadores a ampliá-la na próxima edição. Marcada para março de 1986, a feira já ia cristalizando seus períodos de realização: entre fevereiro e março, visando as compras do Dia das Mães, e entre agosto e setembro, para o lojista ter tempo de programar suas comprar do Natal.

Desde o princípio, a expansão da feira foi limitada por problemas de espaço físico. Na II edição, o Hotel Hilton foi trocado pelo Maksoud Plaza, para que mais empresas pudessem participar da feira.

O sucesso dessa edição deixou claro para os organizadores que também o Maksoud Plaza era pequeno para abrigar a mais importante feira do ramo. O setor estava em franco desenvolvimento e se tornava iminente a entrada de novas empresas. O local escolhido para a III edição foi o Esporte Clube Pinheiros. Durante cinco anos seguidos, duas vezes por ano, fabricantes e lojistas tinham um encontro marcado nas dependências desse clube.

Com 81 stands, a III edição bateu recorde de público e volume de negócios. A partir dela, o acesso de visitantes foi restrito aos convidados dos expositores, geralmente comerciantes de jóias e relógios. Na IV feira, realizada em agosto de 1988, cujo momento econômico não era dos melhores, os organizadores decidiram inovar para atrais os compradores. Promoveram desfiles de jóias diariamente, em dois horários, com os principais lançamentos dos expositores.

(Modelos no Clube Pinheiros - Feninjer no Clube Pinheiros - Recepção do Clube Pinheiros)

Somente a partir da VIII edição, em abril de 1989, o evento passou a se chamar FENINJER - Feira Nacional da Indústria de Jóias, Relógios e Afins. No ano seguinte, o empresário Ricardo Lerner, um líder nato do setor que muito contribuiu para a consolidação da FENINJER, foi convidado para presidir o Instituto e, só aceitou o cargo com a condição de que fosse promovida pela entidade. Isso foi um passo importante tanto para a feira, quanto para o próprio IBGM, que se fortaleceram ainda mais.

A feira foi crescendo à medida que
o mercado brasileiro se expandia.

Novas empresas e novas lideranças
foram surgindo, duas edições de 1992 sendo realizadas no Clube Hebraica,
até que, finalmente, em 1993, a feira
foi transferida para o Hotel Transamérica,
um local muito mais moderno, aconchegante e seguro.

No Hotel Transamérica, a feira começou ocupando cerca de 1.400m² de área
de montagem, que em pouco tempo
se mostraram insuficientes. Em agosto
de 1998, a área total de exposições
já era de aproximadamente 3.000m².

(Hotel Transamérica)

O setor evoluiu vertiginosamente desde então. Os fabricantes nacionais remodelaram completamente suas empresas, se tornaram criadores de tendências, passando a exportar suas jóias para vários países.

Esse desenvolvimento se deu em várias frentes, da tecnologia, que proporcionou um aumento significativo na qualidade dos produtos nacionais, ao design, que passou a ser efetivamente implantado nas indústrias, colocando o Brasil como destaque nos principais concursos de criação de jóias.

A 34a edição, em janeiro de 2002, foi um divisor de águas na história da FENINJER.

A feira cresceu, praticamente triplicou de tamanho, ampliou as potencialidades de negócios e melhorou ainda mais os serviços e o atendimento ao visitante.

Esse crescimento físico e qualitativo foi reflexo do avanço que seus expositores obtiveram nos últimos tempos e da performance altamente profissional dos diretores do IBGM.


(foto Ecio, Hecliton, Calhau)

A feira passou a ser realizada no Transamérica Expo Center, um dos mais modernos centros de eventos de São Paulo. Além do pavilhão de exposições, o espaço reservou área para escritórios, salas de reuniões, praça de alimentação, heliporto, refeitório, sala de imprensa e vestiários para os funcionários. O complexo conta com 1.800 vagas de estacionamento e faz parte do Hotel Transamérica, que também oferece hospedagem e lazer.

(34° edição - Transamérica Expo Center)

Mais preciosa do que nunca, a feira mostrou que o que já era bom ficou ainda melhor. Seu espaço foi ampliado para 8.000m², passando a oferecer muito mais conforto para o visitante realizar suas compras, conhecer as novas tendências da joalheria e ter acesso às novidades que interessam ao seu negócio.

Mais de 140 fabricantes participaram desta edição, um recorde na história da feira. A maioria das empresas que já participavam da Feninjer aumentaram sua área de exposições com o propósito de oferecer um melhor atendimento aos clientes. Os fabricantes também investiram na decoração dos stands e vitrines, tornando o evento ainda mais agradável de ser visitado.

Nessa nova etapa, a FENINJER assumiu um caráter muito mais cosmopolita. Como o mercado brasileiro é considerado uma referência para os países da América Latina, a feira passou a atrair compradores de várias partes do mundo.

Essa política de constante aperfeiçoamento faz parte da filosofia da organização da feira, que atua com determinação para fazer com que o evento, a cada mostra, continue sendo imperdível. Pela grandeza que atingiu ao longo de suas 38 edições, a Feninjer, transformou-se num produto ímpar no mercado. Hoje sua marca vale ouro, representando o brilho e a força do setor no Brasil.