
Quando, na Antiga Grécia, alguns cidadãos helênicos se depararam com estes prismas hexagonais incolores e transparentes, pensaram estar diante de água milagrosa e eternamente congelada pelos deuses. Rapidamente, os gregos batizaram o mineral de krystallos, que em grego significa gelo.
Na verdade, o nome correto desta pedra é “cristal-de-rocha”. Trata-se de um quartzo despido de cor, com brilho vítreo e de boa transparência. Por isso, é difícil acreditar que ele pertença à mesma espécie mineral das calcedônias, as ágatas, as cornalinas, os heliotrópios, os jaspes e os crisoberilos, que são as manifestações criptocristalinas do quartzo. Porém, parece bem mais razoável o fato do cristal-de-rocha ser da mesma espécie da ametista, citrino, quartzo rosa e quartzo fumê, que são as manifestações coloridas dos quartzos macrocristalinos ou, simplesmente, cristalinos. Quando apresenta pequenas agulhas de rutilo, temos o quartzo rutilado, que há poucos anos caiu nas graças dos joalheiros brasileiros e foi a estrela de uma série de peças montadas em ouro amarelo, gerando um belo composê entre o metal e o dourado dos rutilos das pedras.
Agora, a indústria joalheira nacional está descobrindo o cristal-de-rocha e conferindo a ele um status gemológico nunca dado, provavelmente devido à sua grande ocorrência na crosta terrestre e ao seu conseqüente baixo preço no mercado. Para a consultora de estilo do IBGM, Regina Machado, o cristal foi definitivamente transportado do ambiente dos folheados para o contexto da joalheria. “A mistura de gemas de valores diferentes, como quartzo com ouro e diamante, é uma tendência evidente”.
Os criativos designers brasileiros têm ousado e combinado grandes exemplares de cristal-de-rocha puro, absolutamente incolor e criativamente lapidados, com os nobres diamantes, gerando peças superlativas, exuberantes, mas que não perdem jamais a ternura e a delicadeza.
Esta nova condição do cristal-de-rocha como uma gema que ocupa lugar de destaque em jóias importantes deve ser comemorada. O brilho dessa gema, quando bem lapidado, surpreende e encanta. Os tamanhos generosos dos exemplares fascinam, especialmente quando, ao lado de diamantes, deixa no consumidor (e em alguns profissionais também, por que não reconhecer?) aquela dúvida que instiga o espírito e enche os olhos: será um enorme diamante? Todos sabem, é claro, que não pode ser. Mas o que importa?
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