
Jóias do Artesanato Paulista é o primeiro projeto a unir Designers de Jóia de Autor, a Indústria Brasileira de Jóias e o Artesanato Paulista. A iniciativa de criar jóias inspiradas nas técnicas artesanais paulistas, surgiu a partir do encontro das áreas de Artesanato e Tecnologia do Sebrae-SP junto com o IBGM, como uma das formas de demonstrar o quanto o artesanato é especial para a história de São Paulo e como ele pode gerar novos produtos para a joalheria através da criatividade dos nossos designers.
As indústrias firmaram parcerias com os designers e desenvolveram coleções com tiragem limitada para apresentar ao mercado brasileiro e internacional. Todas as peças foram catalogadas e registradas para evitar cópias.
A primeira exposição do projeto foi realizada na 41ª Feninjer e, em seguida, partirá para as cidades de Bauru, São José do Rio Preto, Campinas e Sorocaba.
Veja as indústrias e os designers participantes:
"Conheci as artesãs da Casa do Zézinho que me explicaram todo o processo de feitio do Amarradinho e a infinidade de coisas que esta técnica nos possibilita realizar.
Me envolvi bastante, sugeri cores, formas...as pessoas envolvidas com aquela instituição não pouparam esforços para me explicar o trabalho.
Saí de lá bem animada e com algumas idéias que poderiam ser desenvolvidas para o segmento de joalheria.
Estou imensamente agradecida pela oportunidade de poder conhecer a Casa do Zezinho além de todas as realizações positivas que lá acontecem.".
Um dos desafios mais importantes para mim foi o fato de ter que trabalhar fora do 3D. A soluçao foi encontrada ao me apegar à beleza da textura e à experiência inovadora de criar emcima de algo que nunca havia experimentado".
Minhas jóias inspiradas nos artefatos em retalhos foram pura intuiçao. A força da pinha é tanta que mesmo sem saber que ela era o simbolo da cidade acabei me fixando a ela e náo consegui criar algo que náo incluisse a figura estrelada nas peças. Foi uma viagem e tanto! Despertei para novas coleçoes e descobri um mundo de novas jóias, no mundo dos retalhos.
"Eu tinha visto a técnica de relance e estava em um processo de interesse pelas tramas. O desafio de criar uma peça baseada nesta técnica acabou casando com o processo criativo que estava vivendo.
Foi muito interessante esta experiência pois incluir o geométrico nas minhas peças enriqueceu minhas criaçoes. O contato com a comunidade também foi importante. Sáo poucas, muito simples, mas o trabalho assume uma importância e um prazer enorme ao fazer os retalhos de bico".
A simplicidade da comunidade e a força das cores, segundo Patricia, foram os contrastes que chamaram mais a sua atençao. Eles náo precisam de muita coisa para criar, tamanha a vontade e a criatividade local. Foi muito bom ter tido a oportunidade de encontrá-los pois este contato abriu uma porta para o uso do esmalte e a confirmaçao de minha paixáo pelo uso intenso da cor".
"Ao visitar o vilarejo foi como voltar no tempo. Aprendi a fazer crochê quando menina, assim logo me identifiquei com a técnica utilizada pela comunidade de Bananal.
Foi natural a transposição do delicado trabalho em barbante para um entremeio de flores e fios de ouro que refletissem a beleza do artesanato manual. Os brilhantes compõem o toque de luxo que integra a jóia ao artesanato brasileiro. A integração com a indústria Ivo Katz foi ótima, uma experiência única".
Foi um desafio grande transportar o fuxico para a jóia. Como fiz faculdade de moda fiquei muito interessada em trabalhar com o tecido. O problema era achar a soluçao para adaptar isto à jóia.
Aliado a isto foi muito bom firmar a parceria com o Marco Marchese que é uma pessoa maravilhosa. O resultado é que consegui achar a soluçao através das pedras, por causa das cores. Daí nasceu a idéia de trabalhar o ouro em várias tonalidades para imitar o fuxico misturando pedras brancas e pretas, o que tornou a peça muito chique".
"A comunidade fica a 250 km de viagem. Hoje, participam 16 pessoas, entre mulheres e homens, que já começaram a introduzir outros materiais que eles trazem na volta da pesca.Pelo caminho eles acham sementes, cortam o bambu que é utilizado em algumas peças . O bambu tem época certa do ano para cortar. Depois ele é preparado para ser utilizado. Primeiro espera- se secar, depois passa lixa, depois corta do tamanho desejado e deixa estocado em potinhos. As sementes eles colhem todos pelo mato.
Existe uma técnica e um modelo que eles decidiram que tudo seria daquela forma para se ter um padrão de qualidade.
Primeiro cortam o arame mais grosso para a estrutura da peça que normalmente são cinco fios. Unem-se três primeiro e depois os outros dois na transversal e aí começa o tal do trançado de arame. Aí resolveram que são 5 voltas iniciais para dar rigidez ao fundo da peça e depois começam a trançar.".
Fui visitar a comunidade no dia 19/05, cheguei por volta da 11:00 horas da manhã.
Quando cheguei, havia um grupo trabalhando e me pareceu que uma pessoa do Sebrae de Sorocaba deveria ter ido também.A pessoa com a qual eu deveria me encontrar não poder estar no local mas realmente não faltou gente para me receber, todas muito simpaticas. Foi uma visita muito agradável e proveitosa.
O grupo de artesãs foram muito solicitas e agradaveis, me ensinaram sem nenhum problema a técnica e inclusive trocamos algumas idéias. A técnica em si é bem facil assim sendo não tive problema, aprendi com facilidade.
Fiquei com as artesãns mais o menos umas 3 horas pois converçamos bastante e por que não falar que nos divertimos!!! Adorei esse inicio de projeto e já estou aguardando um novo contato para dar continuidade a ele. Estou enviando algumas foto tiradas no dia.
"Quando recebi a estrelinha, me senti no lugar comum. Porém, logo comecei a ficar instigada por esta técnica que vem passando de geração em geração, desde os sertanejos, os indígenas, os bandeirantes; por um tempo esquecida e agora resgatada. Tentei fazer peças de ouro na cor da palha, dando-lhes a mesma forma e textura, porém logo sonhei com as estrelas brilhando no céu e elas adquiriram sombras, brilhos e formas mais abstratas, poetisando, sofisticando este resgate histórico, vislumbrando o estrelato da singela estrelinha de palha".
"Quando fiquei com o trançado me senti em casa. Ele sempre me pareceu muito familiar, porque na minha casa temos cadeiras e outras peças com estas tramas. Parecia que eu estava vendo um monte de estrelas de Davi". Yael visitou a comunidade em Iporanga e soube que o trançado naquela região também vem sendo trabalhado de geraçao em geração. "O interessante é que isto se repete no mundo inteiro".
Yael então traçou um paralelo entre a técnica que passa de geração em geração como é o caso da jóia, e ligou ambas à religião judaica que também é preservada de geração em geração. "As estrelas sáo rebitadas, não soldadas. Procurei deixar a jóia com o acabamento mais rústico para destacar uma peça com características manuais, tradicional" finaliza ela.
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